quarta-feira, 19 de julho de 2017

" Desafios...!"

 #PensarNaoDoi

Desafios...

                                      

“... Não é o desafio que define quem somos
nem o que somos capazes de ser, mas como
enfrentamos esse desafio: podemos incendiar
as ruínas ou construir, através delas e passo
a passo um caminho que nos leve à liberdade...!”

Richard Bach

Primeiro era o ruído. Um berro nos nossos ouvidos, estrondo, rugir, água forte rolando. A expectativa vinha lenta, esgarçada nos tons suaves da tarde, infiltrando-se em nossos olhos quase que misericordiosos. Era vagarosa a expectativa, certa criança rolando em manhã de maio, fruta exalando cheiro de muito longe.
Depois o ruído crescia. Vinha se despejando forte, batia estúpido na nossa cabeça, doía, tentava. Crescia a angústia, o desejo, o medo, a visão clara do proibido anseio. E era aquele desejo longo, envolvente como abraço, macios dedos estendidos para nossos rostos indóceis, para nossos músculos tensos, para a nossa esperança crescente e incrédula.
                              

Mais tarde, ainda, as pequenas flores das margens, jogadas com força contra os barrancos, e aquela sensação de angústia, a solidão das flores, o seu desamparo que era o nosso desamparo, sua fragilidade que era a nossa. Galhos, seguravam-se em nossos cabelos, ficava o mistério do medo, o mistério do escuro,
E nós tateávamos o escuro, o medo, as pedras sob nossos pés, as cores irisadas, as formas, as pernas recebendo aos poucos o impacto da água gelada, os olhos engolfando-se no todo incrível do mundo novo, da aventura, da descoberta.

                                    
Agora já era esse todo, flores e pedras, barro e limo, água rolando rápida e à nossa frente, indescritível, imensa, grande borboleta de asas abertas para nossos pequenos sonhos, a cachoeira com seus braços cheios de água despejando-se do alto. Nós parávamos e ficávamos mudos. A espera já tinha se derramado por nossos ombros, estirado por nossos olhos, e nós queríamos tocar a água, sentir o frio escorrer por nossos rostos, nosso cabelo empapado, visão de poder e da maturidade sendo criada no desafio à natureza.
E nós desafiávamos água funda e mães, estrépito e adultos, com o mesmo despudor, cabeça levantada alto, riso torto na boca. Nos desafiávamos o mundo sob a cachoeira. Nós podíamos mais. O mundo estava ali, resumido no ruído, nas flores, nas pedras, na água, e era nosso. Contra todos, contra tudo que havia sido dito, escrito, recomendado. Era nosso.
                                       
Um mundo feito de sensações, de cores, de formas, de insetos, de flores, de reflexos, de sombras se criando e se desfazendo,
Perfeito e inalcançado, tão distante e tão próximo, desafio mudo a todas as nossas expectativas. Como hoje. Quanto eu me embrenho fundo no escuro e também faço o meu desafio, e também lanço o meu grito, meu gesto de desapego ao certo e ao fácil. Quando eu me lanço nessa cachoeira, expectante efluída, e esqueço que nunca soube nadar....

Pensar não dói..., Mas, desafios esperam-nos... 

Serenos e calmos...





Entendimentos & Compreensões
Leituras & Pensamentos da Madrugada
Transpirado de Crônicas Ontológicas/RS-1980
Maria Clara Pinho
Publicado originalmente em 
https://www.revistadoutrina.com
E no Grupo Kasal – Konvenios – Vitório – ES – 
http://www.konvenios.com.br/info/Artigos.aspx?codAutor=117
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